segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dia das Crianças 12/10/2010

Festa dia das Crianças realizado na casa da Mensageira Diolinda no bairro Santa Cândida dia 12 de outubro ás 15:00 horas.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Maria e as missões

16/10/2010

O mês do rosário e das missões, outubro, nos encontra com várias comemorações marianas: Nossa Senhora do Rosário, de Nazaré, de Fátima, Aparecida, da Penha. A estrela da evangelização é para nós uma inspiração de nossa disponibilidade para levar Cristo ao mundo através do nosso "sim" ao Plano de Deus.
A Igreja, na sua essência missionária, tem na figura de Maria o seu protótipo, o modelo de como ser evangelizadora, de como levar a Boa Nova a todos, tendo em vista que Maria é grande missionária. Trouxe em seu ventre o Redentor da humanidade! Com sua intercessão, leva as pessoas a Jesus e O traz às pessoas, ou seja, por ela vamos até Jesus e Jesus vem até nós.
O mandato que a Igreja recebeu de Nosso Senhor Jesus Cristo para evangelizar consiste no anúncio do Evangelho, em primeiro lugar aos pobres, visando à salvação e à libertação total de toda pessoa humana. A incumbência da Igreja é o anúncio explícito do evangelho. Maria Santíssima foi aquela que, ao longo de toda sua existência, nada mais fez do que estar disponível a Deus. Sua vida foi pautada na obediência e fidelidade a Deus, numa atitude de total desprendimento e serviço a favor do Reino. Ela, portanto, é, sem dúvida, a figura na qual devemos espelhar em nossas orações, em nossas relações com Deus e em nossos trabalhos missionários.
O mês de outubro ajuda-nos a recordar o fundamental convite missionário de Cristo e da Igreja em cada comunidade e apoiar o trabalho de quantos sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos trabalham nas fronteiras da missão da Igreja. O anúncio do Evangelho permanece o primeiro serviço que a Igreja deve à humanidade para oferecer a salvação de Cristo ao homem do nosso tempo, de tantas maneiras humilhado e oprimido, e para orientar em sentido cristão as transformações culturais, sociais e éticas que estão em ação no mundo.
O Papa Bento XVI, por ocasião do mês missionário, nos anima a sairmos do imobilismo e colocar a mão no arado do anúncio do Evangelho: "Caríssimos, neste Dia Missionário Mundial no qual o olhar do coração se dilata sobre os imensos espaços da missão, sintamo-nos todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho. O estímulo missionário foi sempre sinal de vitalidade para as nossas Igrejas e a sua cooperação é testemunho singular de unidade, de fraternidade e de solidariedade, que nos torna críveis anunciadores do Amor que salva!"
"Como o "sim" de Maria, cada resposta generosa da Comunidade eclesial ao convite divino ao amor dos irmãos suscitará uma nova maternidade apostólica e eclesial (cf. Gl 4, 4.19.26), que, se deixando surpreender pelo mistério de Deus amor, o qual "ao chegar a plenitude dos tempos, enviou o Seu Filho, nascido de mulher" (Gl 4, 4), dará confiança e audácia a novos apóstolos. Esta resposta tornará todos os crentes capazes de ser "jubilosos na esperança" (Rm 12, 12) ao realizar o projeto de Deus, que deseja "que todo o gênero humano constitua um só Povo de Deus, se congregue num só Corpo de Cristo, e se edifique num só templo do Espírito Santo" (Ad gentes, 7)".
A Igreja, seus ministros, suas lideranças, os batizados, todos somos convocados e chamados a repensar profundamente e a relançar com fidelidade e audácia sua missão nas novas circunstâncias latino-americanas e mundiais. Trata-se de confirmar, renovar e revitalizar a novidade do Evangelho arraigada em nossa história, a partir de um encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo, que desperte discípulos e missionários. Isso não depende tanto de grandes programas e estruturas, mas de homens e mulheres novos que encarnem essa tradição e novidade, como discípulos de Jesus Cristo e missionários de seu Reino, protagonistas de uma vida nova para uma América Latina que deseja reconhecer-se com a luz e a força do Espírito. Por isso, o estado permanente de missão, que é uma convocação de toda a Igreja na América Latina, à luz de Aparecida, tem por objetivo principal despertar e fomentar o ardor missionário em nossas comunidades. Como devotos de Maria, a Senhora dos mil nomes, em cada um dos títulos em que é venerada pelo nosso povo santo, nada mais justo e salutar do que não só imitá-la, mas colocá-la como patrona que nos ilumina no estado permanente de missão, a essência do discipulado e da missão da Igreja e de seus filhos.
* Dom Orani João Tempesta é arcebispo do Rio de Janeiro.

Fonte: www.cnbb.org.br

Campanha Missionária 2010



Missão e Partilha


Oração Missionária 2010
Ó Deus,
Pai de todos os povos,
Vós que nos abraçais
Com a ternura de uma mãe,
Ouvi o clamor
Das multidões da Amazônia
E do mundo inteiro
Desejosas de Vos conhecer
E Vos amar.
Ensinai-nos a Vos servir,
Na partilha da Fé
E dos Bens,
Que Vós mesmos nos destes.
Amém.

O Cartaz da Campanha Missionária de 2010

A Campanha Missionária, promovida e coordenada pelas Pontifícias Obras Missionárias, propõe para este ano de 2010 o tema Missão e Partilha, e, como lema, Ouvi o Clamor do Meu Povo (cf. Ex 3,7b). O tema Missão e Partilha remete à Campanha da Fraternidade deste ano, a qual todo ano buscamos resgatar, com enfoque e dimensão missionária. O lema Ouvi o Clamor do Meu Povo recorda o Êxodo do povo de Israel, e os muitos "êxodos" dos povos atuais. Também nos remete ao tema da migração, mobilidade humana, do ser peregrinos, lembrando-nos permanentemente que o horizonte da Missão é o mundo, a humanidade no seu todo.
O cartaz traz um fundo verde, sinal de esperança. A Missão alimenta, fortalece nossa fé, esperança e caridade, mantém-nos no caminho da fidelidade a Deus e à humanidade, Povo de Deus (LG 2).
A água remete ao valor e a dignidade da vida como elemento vital para o planeta, onde vive e está inserida a humanidade. Aqui, especificamente, remete-nos à realidade amazônica, com sua rica biodiversidade. Lembramos que a última semana do outubro, dedicada à Amazônia, vem inserida no contesto do Mês das Missões.
O barco faz alusão à figura bíblica da Igreja Peregrina que "navega" pelos mares da história da humanidade. Nela se destaca a figura de Jesus Cristo. É Ele quem dá segurança: "Não tenham medo... Avancem para águas mais profundas!" (cf. Mt 4,18). Ao mesmo tempo aponta para o horizonte amplo e universal da Missão, que é o mundo, a humanidade. A Missão não tem fronteiras!
Destaca-se ainda a figura dos índios, etnias vivas e presentes na realidade amazônica, do Brasil e de outros países. Povos que nos acolheram, abrindo-se à Boa-Nova do Evangelho, e que precisam ser respeitados e valorizados, como portadores de valores evangélicos já presentes, quais "sementes do Verbo Encarnado" que estabeleceu morada definitiva junto à humanidade e que, portanto, chegou lá muito antes que o missionário. Contudo, este poderá, sim, ajudar no processo de explicitação da Verdade e Pessoa de Jesus Cristo, como nosso Senhor e Salvador, já atuante e presente na história salvífica da humanidade.
Padre Daniel Lagni, diretor Nacional das POM do Brasil.


 
Fonte: POM

Carta de Bento XVI aos seminaristas

18/10/2010 | Papa Bento XVI
Queridos Seminaristas,
Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objecções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus - mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização -, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d'Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.
O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a «comunidade dos discípulos», o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar - olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário - alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.
1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.
2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma recta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.
3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d'Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas - assim disse ele - o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.
4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus».
5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma «norma da doutrina», à qual fomos entregues no Baptismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: «Sempre prontos a responder (...) a todo aquele que vos perguntar "a razão" (logos) da vossa esperança» (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, reflectindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecuménica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e - ouso dizer - a amar o direito canónico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.
6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente «íntegro». Por isso, a tradição cristã sempre associou às «virtudes teologais» as «virtudes cardeais», derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: «Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.
7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.
Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo.
Vaticano, 18 de Outubro - Festa de São Lucas, Evangelista - do ano 2010.
Vosso no Senhor
Papa Bento XVI.

Fonte: Revista Missões

Mensagem do Papa para o 84º Dia Mundial das Missões

O mandato missionário recebido por todos os batizados e por toda a Igreja, não pode "se realizar de maneira crível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral" "Somente a partir deste encontro com o Amor de Deus, que muda a existência, podemos viver em comunhão com Ele e entre nós, e oferecer aos irmãos um testemunho crível, dando razão da esperança que está em nos": ‘é o que afirma o Santo Padre Bento XVI em sua Mensagem para o 84ª Dia Mundial das Missões, que se celebra no domingo, 24 de outubro próximo sobre o tema: "A construção da comunhão eclesial é a chave da missão'.
A cada ano o Dia Mundial das Missões oferece a todos a "ocasião para renovar o compromisso de anunciar o Evangelho e dar às atividades pastorais um amplo respiro missionário", além disso, em outubro "a Igreja nos convida a aprender com Maria, através da oração do Santo Rosário, a contemplar o projeto de amor do Pai sobre a humanidade, para amá-la como Ele nos ama". O papa reiterou que o compromisso e a tarefa do anúncio evangélico é tarefa de toda a Igreja, "missionária por natureza" e prossegue: "Numa sociedade multiétnica que sempre experimenta formas de solidão e indiferença preocupantes, os cristãos devem aprender a oferecer sinais de esperança e a se tornar irmãos universais, cultivando os grandes ideais que transformam a história e, sem falsas ilusões ou medos inúteis, se empenhar para tornar o planeta a casa de todos os povos".
Depois de evidenciar que "também os homens de nosso tempo, não sempre conscientes, pedem aos fiéis não somente de falar de Jesus, mas de fazer ver Jesus, fazer resplandecer o Rosto do Redentor em cada canto da Terra diante das gerações do novo milênio e especialmente diante dos jovens de cada continente", a mensagem do Papa prossegue: "estas considerações
"Estas considerações evocam o mandato missionário recebido por todos os batizados e por toda a Igreja, que, porém, não se pode realizar de maneira crível sem uma profunda conversão pessoal, comunitária e pastoral. Efetivamente, a consciência do chamado a anunciar o Evangelho estimula não apenas os fiéis, mas todas as Comunidades diocesanas e paroquiais a uma renovação integral e a abrir-se sempre mais à cooperação missionária entre as Igrejas, para promover o anúncio do Evangelho no coração de toda pessoa, povos, culturas, raças e nacionalidades, em toda latitude."
Bento XVI recorda o compromisso constante dos agentes pastorais a fim de promover a comunhão eclesial, "de modo que o fenômeno da "inter-culturalidade" possa também se integrar num modelo de unidade, no qual o Evangelho seja fermento de liberdade e progresso, fonte de fraternidade, humildade e paz". Então sublinha que "comunhão eclesial nasce do encontro com o Filho de Deus, Jesus Cristo, que, no anúncio da Igreja, chega aos homens e cria comunhão com Ele mesmo, com o Pai e o Espírito Santo" e que a "A Igreja se torna "comunhão" a partir da Eucaristia, em que Cristo, presente no pão e no vinho, com o seu sacrifício de amor, edifica a Igreja como seu corpo, unindo-nos a Deus uno e trino e entre nós". Mas o amor que celebramos no Sacramento "não podemos reservar para nós, "ele pede por sua natureza de ser comunicado a todos, pois uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária"
Na parte conclusiva da Mensagem, o Santo Padre exorta a sentirmos "todos protagonistas do compromisso da Igreja de anunciar o Evangelho", e renova "o convite à oração e, não obstante as dificuldades econômicas, ao compromisso de ajuda fraterna e concreta em apoio das jovens Igrejas". Expressando a sua gratidão pelo serviço precioso feito pelas Pontifícias Obras Missionárias no apoio à formação dos sacerdotes, seminaristas e catequistas nas terras de missão e para encorajar as jovens comunidades eclesiais, o Papa manifesta um afetuoso reconhecimento "aos missionários e missionárias que, testemunham nos lugares mais distantes e difíceis, muitas vezes com a vida, o advento do Reino de Deus".


Fonte: www.fides.org

Origem do Mês das Missões

O organizador das celebrações do Mês das Missões no Brasil foi o padre Gaetano Maiello, Pime. Nasceu em Bolzano (Itália), em 6 de fevereiro de 1929. Foi ordenado sacerdote em Nápoles (Itália), em 1951. De 1951 a 1959 atuou, entre outras coisas, como secretário do Pe. Paulo Manna (hoje, Bem-Aventurado, fundador da Pontifícia União Missionária). Atuou no Brasil 25 anos no Brasil. Foi, por 14 anos, missionário em Macapá, AP (1959 a 1970 e 2002 a 2005). Depois de um tempo na Itália, regressou à Missão no Brasil em 1972, onde ficou até 1984.
Trabalhou nas Pontifícias Obras Missionárias, primeiro como Secretário (1973-1976) e depois, "com dedicação e eficiência", como primeiro Diretor Nacional (1976-1983), quando as quatro Obras foram unificadas em uma única instituição e a Sede Nacional transferida para Brasília, DF (1978). Nessa ocasião foi também Assessor da então Linha 2 da CNBB e organizou o Centro Cultural Missionário (CCM/CNBB) em Brasília. Faleceu na Itália, dia 5 de janeiro de 2009.
Em entrevista ao Jornal Missão Jovem, padre Maiello falou sobre a sua atuação em Brasília, quando deu início às celebrações do Mês das Missões (outubro):
"Em fevereiro 1972, em Manaus, entrei em contato com os superiores e bispos da Amazônia e, na ocasião, apresentei um projeto nacional de animação missionária universal.
O ano de 1972 foi, com certeza, o ano mais missionário no Brasil. Surgiram os programas Igrejas-Irmãs entre as prelazias do Norte e Nordeste e as Igrejas já mais organizadas do restante do Brasil.
Foram fundados quatro periódicos missionários: Sem Fronteiras (pelos combonianos), Kosmos (pelos xaverianos), Missões (pelos missionários da Consolata) e Mundo e Missão (pelos missionários do Pime). Foi também fundado o Conselho Indigenista Missionário (Cimi/CNBB).
Numa reunião na CNBB, em 7 de agosto, presente o Card. Agnelo Rossi, Prefeito da Congregação da Evangelização dos Povos, apresentei uma proposta detalhada de renovação da Pastoral Missionária no Brasil. A primeira iniciativa concreta foi a organização de um novo programa de celebração do Dia Mundial das Missões, que se transformou no Mês das Missões, com materiais audiovisuais renovados, um opúsculo sobre A Igreja e a Animação Missionária, e outros subsídios.
Antes do início do Mês das Missões, realizamos um encontro nacional de todos os agentes da Pastoral Missionária, presidido por D. Mário Gurgel, da Pastoral Missionária. Foi quando fundamos o Conselho Missionário Nacional (Comina), em seguida reconhecido como organismo da CNBB.
A pedido da Direção Mundial das POM, apresentei, em Roma, a nossa sugestão do Mês das Missões, que foi acolhida e instituída em todas as direções nacionais das POM."
O Dia Mundial das Missões foi instituído pelo Papa Pio XI em 14 de abril de 1926, a pedido dos seminaristas da Arquidiocese da Sardenha, Itália. O primeiro Dia Mundial das Missões foi celebrado em 1927. Em 2010, celebraremos o 84º Dia Mundial das Missões (24 de outubro, penúltimo domingo do Mês das Missões).

Fonte: www.pom.org.br